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TOC - Transtorno Obsessivo Compulsivo


As obsessões são definidas como pensamentos ego-distônicos recorrentes, enquanto as compulsões são ações que devem ser feitas para alívio da ansiedade. As queixas dos pacientes situam-se em cinco categorias: 1) rituais envolvendo checagem; 2) rituais envolvendo limpeza; 3) pensamentos obsessivos não acompanhados por compulsões; 4) lentidão obsessiva e 5) rituais mistos (Baer & Jenike, 1986). O transtorno obsessivo-compulsivo é frequentemente complicado por depressão e sério prejuízo no funcionamento ocupacional e social, de forma que os membros da família e os que trabalham com pacientes com transtorno obsessivo-compulsivo podem também sofrer repercussão da doença.


O transtorno da personalidade obsessivo-compulsiva parece responder bem à psicanálise e à psicoterapia orientada para o insight. Também se sabe que os sintomas aumentam ou diminuem de acordo com a presença ou a ausência de estresse na vida do paciente. Quando a tensão é reduzida, pode ocorrer melhora, enquanto o aumento do estresse ou a recorrência da situação desencadeante original piora os sintomas (Black, 1974).


O tratamento psicanalítico pode ser extremamente útil em uma série de situações. Muitos pacientes com transtorno obsessivo-compulsivo parecem agarrar-se a seus sintomas, resistindo tenazmente aos esforços de tratamento. Os próprios sintomas podem evitar a desintegração psicótica em alguns pacientes, desempenhando, desse modo, uma função altamente útil em termos de homeostase psicológica. Pelo fato de os sintomas de transtorno obsessivo-compulsivo poderem acompanhar qualquer nível de personalidade subjacente ou organização de ego (Corfield & Malen, 1978), uma avaliação psicanalítica deve também enfocar a função dos sintomas em toda a estrutura intrapsíquica do paciente. Apesar da natureza refratária de muitos sintomas obsessivo-compulsivos, a psicanálise e/ ou psicoterapia psicanalítica podem melhorar consideravelmente o funcionamento interpessoal dos pacientes com transtorno obsessivo-compulsivo.


Muitos familiares descreveram sentir-se intimidados pelo paciente a fazer coisas para se adaptar a suas obsessões e compulsões. De forma semelhante, esse padrão de relacionamento torna-se internalizado e, frequentemente, é recriado quando os pacientes com transtorno obsessivo-compulsivo são admitidos em centros de atenção diária ou em unidades de internação. Quando se sentem autorizados a assumir sua postura caracterológica, em geral, alguns pacientes com transtorno obsessivo-compulsivo sentem-se no direito de insistir que todos devem se adaptar à sua doença.


Os sintomas do transtorno obsessivo-compulsivo frequentemente levam os pacientes a ter problemas de relacionamento e o diagnóstico de transtorno obsessivo-compulsivo está associado a um alto risco de divórcio e separação (Zetin & Kramer, 1992). A psicanálise e/ou psicoterapia psicanalítica, portanto, podem ser a modalidade eficaz de abordagem dos problemas de relacionamento. Alguns profissionais de saúde mental (Leib, 2001; Meares, 2001) observaram como o envolvimento dos pacientes com rituais e pensamentos obsessivos pode levar a uma existência pessoal altamente restrita, levando igualmente ao desenvolvimento problemático do self e das relações objetais. A psicanálise e/ou psicoterapia psicanalítica podem ser necessárias para ajudar o paciente a redefinir um sentido de self separado da experiência dos rituais e pensamentos obsessivos e a desenvolver uma maior consciência com respeito à vida interna dos outros.

Outra contribuição útil que os psicanalistas e os psicoterapeutas de orientação psicanalítica podem fazer ao tratamento do transtorno obsessivo-compulsivo é por meio da investigação dos desencadeantes que iniciam ou exacerbam os sintomas. Ao ajudarmos os pacientes a compreender a natureza desses estressores, os sintomas podem ser manejados de forma mais eficaz.


Rev. bras. psicanál v.43 n.3 São Paulo


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